Ter um parto em casa é tão seguro quanto ter um parto no hospital?



Oi amoras! Faz MUITO tempo que não posto aqui né? Tenho postado mais na minha página no Facebook e no Instagram. Me acompanhem por lá 🙂
Mas hoje eu comecei a escrever e o texto ficou grandão…. então resolvi colocar aqui. E aí? Um parto em casa é tão seguro quanto um parto no hospital? O que precisa pra ter um parto em casa? Ahhhhhhhhhh aproveito pra convidar vocês para ir no Espaço Mulheres Empoderadas em Campinas participar dos grupos sobre gestação, parto, amamentação e todas as atividades que temos lá. De quebra você ainda pode me conhecer pessoalmente. Olha que máximo 🙂
Então vamos ao que interessa: Ter um parto em casa é tão seguro quanto ter um parto no hospital?
Por: Gisele Leal
A realidade brasileira
No Brasil, mais de 99% dos bebês nascem em hospital e mais da metade nascem por via cirúrgica.  Em alguns países como a Holanda, por exemplo, no máximo 60% dos bebês nascem em hospitais. Os outros 40% nascem em casa, assistidos por equipe profissional de parteiras.
O excesso de cesáreas
Vivemos no país das cesáreas. A maioria das cesáreas são agendadas, antes mesmo da mulher entrar em trabalho de parto, mesmo sendo unanimidade entre o meio científico de que apenas o trabalho de parto pode garantir que este bebê tem autonomia para viver fora do útero materno, onde recebe nutrientes, oxigênio e proteção.
A cesárea é um recurso fabuloso que pode trazer um melhor resultado caso, durante o trabalho de parto, existam sinais clínicos de que o parto normal deixou de ser via segura para determinada mulher ou bebê.
Parto domiciliar
O maior estudo que conheço sobre o parto domiciliar é holandês. Com mais de 670 mil nascimentos, ele demonstra que não há diferenças entre mortalidade perinatal quando gestantes saudáveis escolhem ter seus bebês em casa (quer ver o estudo, clica aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22015871)

Riscos
Então se não tem diferença entre a mortalidade perinatal quando um bebê nasce em casa ou quando nasce no hospital, quer dizer então que um parto domiciliar (ou parto humanizado no hospital) tem risco zero????
NÃOOOOO! Não existe ausência de risco. E isso é importante ficar muito claro pra quem opta por um parto domiciliar. Não conheço (felizmente!!!) nenhuma equipe que fale pra gestante que parto domiciliar não tem risco. Claro que tem! Viver é um risco. Parto hospitalar também tem risco. Cesárea  eletiva também tem risco!

Parto domiciliar no Brasil
Como no Brasil uma parcela muito pequena da população opta por parto domiciliar, afinal culturalmente aqui se nasce no hospital e além disso a assistência ao parto domiciliar não está disponível pelo SUS ou pelos convênios, não há um estudo sobre a segurança do parto domiciliar no Brasil, e por isso é importante escolher uma equipe experiente de parto domiciliar que baseie suas prática em evidências científicas atualizadas.
Um casal que esteja pensando na possibilidade de ter seu bebê em casa, ao invés de ir para o hospital, terá que estudar, se informar, tomar decisões para então construir essa experiência.  Quer saber como viabilizar seu parto domciliar? Deixo aqui minha dicas para vocês, ok? (Depois faço um outro texto pra quem quer ter um parto humanizado hospitalar).

1) Comece o pré-natal o quanto antes, com um bom profissional. Pode começar com obstetra ou com obstetriz ou com enfermeira obstetr ou na UBS. O importante é manter sequência das consultas e fazer todos os exames necessários. 
2) Frequente grupos de gestantes. Aqui em Campinas nós temos várias atividades para gestantes e mães no Espaço Mulheres Empoderadas. E temos roda de parto domiciliar pelo menos uma vez por mês. Se puder, faça o Estamos Grávidos. É um intensivo de preparação do casal para o parto, amamentação e maternidade.
3) Agende uma consulta com uma orientadora perinatal, uma doula, uma parteira. Pra que tudo isso Gisele? Vamos por partes! Cada uma dessas profissionais tem uma função e podem fazer parte da equipe que vai te acompanhar na gestação, parto e pós parto. Como já disse anteriormente a assistência ao parto domiciliar, ou hospitalar humanizada, não é oferecida pelo SUS nem pelos convênios. Então sim, as profissionais que se dedicam exclusivamente a isso e atendem de forma autônoma cobram consulta. São horas de estudo, especialização e uma hora (ou mais) inteirinha dedicada a te conhecer, para entender o que você deseja e juntas construirem um caminho para um parto e nascimento seguro e respeitoso. E também, obviamente, porque é o trabalho de cada uma. Certo? Pode ser que você encontre profissionais que não cobram primeira consulta. Pode ser que essas profissionais trabalhem por hobby, ou pode ser que estejam construindo sua própria experiência e ainda não se sintam confortáveis em cobrar. Mas essa não é a regra. A regra é: você está buscando um serviço especializado, e sim, ele é cobrado. Serve pra cabelereira, pra jardineira, pra médica e também para orientadora perinatal, doula e parteira. Negocie, parcele se precisar. Mas procure essas profissionais. Pode fazer toda diferença na sua experiência.
 

Consultora perinatal:

Uma boa e experiente orientadora perinatal vai analisar o quanto você tem de informação e preparação para construir a experiência de parto que você deseja (talvez essa profissional precise te fazer perguntas pra que VOCÊ primeiramente entenda o que está buscando. Sim, pode ser que você chegue no consultório e não consiga explicar muito bem o que está buscando. Talvez você  “só” não queira outra cesárea.  “Só” não queira sofrer violência obstétrica. Saber o que não se quer é importante. Mas mais importante é saber o que você realmente quer!) e vai te fornecer recursos para que você possa construir e trilhar esse caminho. Ela vai te fazer perguntas que podem te deixar inquieta, te tirem da zona de conforto. Vai te apresentar ferramentas que te auxiliem a construir o seu plano de parto.  Ela é a profissional chave “antes do parto”. No Brasil, algumas doulas acumulam essa função. É uma das coisas eu MAIS AMO fazer. Ofereço a consultoria perinatal para os casais que me procuram para acompanhá-los como doula, e os resultados são fantásticos. <3

Doula:

A doula é a profissional que vai estar com você no grande dia. O dia que você vai conhecer seu bebê. Ela é a profissional que estará com você a partir da hora que atravessar as ondas do trabalho de parto está bastante desafiador. A doula vai te apoiar nas suas escolhas, pode oferecer métodos não farmacológicos de alívio de dor usando técnicas de relaxamento através do toque, da respiração ou visualização e outras técnicas. Ela que vai cuidar da sua hidratação, da sua energia, do seu conforto. É aquela que acredita em você até quando nem vc acredita mais (risos). Amo estar nos nascimentos e poder acompanhar as mulheres sensacionais que vi desabrochar durante toda a construção do seu processo do empoderamento. O bebê nasceu, o papel da doula acaba. Mas algumas doulas oferecem o serviço de apoio pós-parto. Essa é uma outra função que algumas doulas no Brasil acumulam. O que você está buscando? Tudo isso é importante ser discutido com a doula na primeira consulta. Eu também ofereço o serviço de orientação pós-parto e é uma delícia poder ver a amamentação e maternagem se materializando.

Parteira:

A parteira é a profissional com formação e responsabilidade clínica sobre o binômio mãe-bebê. Ela pode realizar assistência ao pré-natal, ao parto e pós parto de mulheres e bebês saudáveis. Acompanhando seu pré-natal, ela que vai te dizer se você é elegível ao parto domiciliar. Se sua gestação, você e seu bebê estão aptos para o parto em casa.
Além disso, não dá pra ter um parto domiciliar só com doula. Tem que ter parteira. Tem que ter duas parteiras. O modelo de segurança de parto domiciliar europeu preconiza duas parteiras. Em caso de intercorrência com mãe e bebê no pós-parto imediato uma presta os cuidados à gestante e a  outra presta assistência ao bebê. Na grande maioria dos casos, não vai precisar usar nenhuma das duas (risos). Mas a maioria das pessoas que tem seguro de automóvel e plano de saúde também paga para não usar, não é mesmo? risos
As profissionais que atendem parto domiciliar no Brasil são obstetrizes ou enfermeiras com especialização em obstetrícia. Se não tiver formação especializada, não pode atender parto em casa. Se tiver formação especializada (e de  preferência experiência né amores?), pode atender parto em casa.

4) Leia livros, relatos, assista vídeos de parto domiciliar. Mas em hipótese nenhuma romantize o parto. Parto é sangue, suor e lágrimas. É como correr uma maratona. Pode ser que doa tudo, que seja muito desafiador, que você fique exausta, que você pense em desistir. Pode ser que você odeie seu acompanhante, sua doula e suas parteiras. Então não é como os vídeos de parto com musiquinha fofa e que foram brilhantemente editados para terminarem em no máximo 5 minutos. Parto pode demorar 2 horas ou 2 dias. E é importante você e quem vai te acompanhar saiba disso. Ahhh você quer mais pessoas acompanhando seu parto? Uma amiga? A sogra? A irmã? Sua mãe? Hum…. então arraste essas pessoas pros grupos com você. Essas pessoas precisam fazer o mesmo caminho que você está fazendo. Precisa entender como é o processo. Que pode demorar. Que pode ser desafiador. Que vai ter sangue, suor e lágrimas. E xixi. E vômito. E cocô. Senão, pode ser que você tenha indicação de transferência por “sofrimento agudo do acompanhante”. E isso você não quer, certo?
 
5) Fale com sua equipe sobre desfechos indesejados. Ninguém quer falar sobre isso. Mas é preciso. Acredite em mim. Mudança de planos antes do parto por alguma intercorrência no pré-natal, transferência pré-parto, transferência pós-parto, UTI, bullying do hospital que vai receber você em caso de transferência, morte…. é horrível falar disso? É. Mas é preciso desromantizar o parto. Eu converso (ou pelo menos tento! rs tem casal que não abre brecha e ponto) sobre desfechos indesejados com os casais que faço consultoria perinatal. É preciso falar sim, e planejar plano B, C e D se necessário. Uma boa equipe de parto faz isso com o casal.
 
6) Construa um plano de parto e um plano B e C bem sólido e realista. Não deixe pra fazer isso com 40 semanas. Eu recomendo que com 34/35 semanas esses planos já estejam bem amadurecidos para a gestante ou casal.
 
7) Fale com sua equipe sobre os limites da equipe e sobre os seus limites. Transparência da gestante/casal com a equipe e vice-versa é fundamental. Como sua equipe trabalha? Quais são as indicações de transferência? Quais as taxas de transferência da sua equipe. Quais intervenções que ela já fez em parto domiciliar? Faria de novo? Em quais situações?
 
8) Frequente grupos de apoio e rodas que falam sobre parto domiciliar
9) Frequente grupos de apoio e rodas que falam sobre parto domiciliar
10) Frequente grupos de apoio e rodas que falam sobre parto domiciliar
Tem mais dicas? Manda pra mim! Aproveita e me segue no Insta, no Face e também segue a página do Espaço Mulheres Empoderadas. Quer meu acompanhamento na sua gestação ou parto? Me manda um whatsapp (19) 9-8186-1169 que agendamos uma consulta. Vou amar te conhecer.
 
 
 


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