Relato de Parto Domiciliar – Carina e Gabriel 10


Esse relato de parto domiciliar, com certeza, é diferente de todos os que você já leu. Eu ainda não tinha lido, um relato de parto que conta um desfecho não esperado. E é lendo esse relato, que é possível entender o porque é importante se empoderar. Se empoderar para qualquer resultado.  Porque  é importante faze escolhas conscientes. Porque é importante ter uma equipe, capacitada para prestar assistência de emergência  quando necessário.

Bem vindo meu novo ser cercado de proteção de tanto amor tanta paz dentro do meu coração.

É como se eu estivesse esperado toda a vida pra te embalar.”

Isadora Canto

Demorei quase sete meses para superar alguns medos internos e poder contar como nasceu o meu lindo Gabriel, mas acredito que meu relato pode informar e acalmar muitas “mães de primeira viagem” que como eu deseja um nascimento mais humanizado e mais próximo do seu bebê.

O momento que estou vivendo é de alegria e felicidade imensurável. Embalar o meu filho nos braços é a coisa mais linda mais emocionante e o mais sincero estado de plenitude que eu poderia imaginar para nós. A cada momento que olho para ele sinto como se eu o conhecesse há muito tempo. É como se eu nunca tivesse vivido sem ele antes. É como se ele fosse parte da minha vida toda. Olhar para ele com saúde, gorducho e lindo é a mais linda constatação que Deus existe.

 Na verdade a espera de quatro anos foi longa pra poder embalar meu bebê. Hoje sinto com ele nos braços o quanto ao longo dos meus 38 anos eu queria um bebe e não sabia.

Quando descobri a gravidez estava com semanas. Foi uma alegria só! Meu mundo coloriu. Minha vida mudou. No nosso primeiro ultrassom a constatação de que o nosso bebê estava a caminho. E ele chegou quando ele quis, no dia que ele mesmo escolheu. Nasceu de termo com 38 semanas e três dias e com 3 kilos e 350 gramas.

A expectativa

 

Esta foi a terceira gestação e o primeiro filho que tivemos. Meus primeiros três meses foram cercados de dúvidas e insegurança. Não queria ter que passar pela frustração novamente de não ter o nosso bebê nos braços. Só fui relaxar de fato no quarto mês de gestação e aí comecei a curtir tudo, muito mais do que sempre sonhei.

Quando ele começou a se mexer foi uma loucura! Quantas sensações senti! Meus hormônios ficaram a mil por hora. Eu não era mais a mesma pessoa.

Sempre fiz 4, 5 coisas ao mesmo tempo, mas na gestação fui ficando cada dia mais lenta, não conseguia fazer duas coisas ao mesmo tempo. Acho que Deus estava me preparando para a nova vida. Desacelerar era preciso, pois sempre fui ligada no 220.

Eu sempre dizia aos amigos e parentes que metade do meu cérebro havia derretido. Quase não me reconhecia. Imagine o meu marido então? Coitado, quase ficou louco porque não me reconhecia mais. Nosso cachorro, nosso companheiro, também não entendia nada, eu não conseguia sentir o cheiro dele e durante os últimos seis meses quase não o peguei no colo.

Durante a gravidez, mudamos de cidade, mudamos de casa, mudamos de escritório, mudamos a logística do nosso trabalho, mudamos a nossa vida. Queríamos mais qualidade de vida para o nosso Gabriel e voltamos para o interior.

A opção pelo tipo de parto

Quando cheguei a Sorocaba estava com quatro meses e sem médico para fazer o pré-natal. Fui ao médico que tinha feito o pré-natal de uma das minhas irmãs. Do início da gravidez até os cinco meses eu só queria saber da saúde do bebê, sobre o parto eu pouco pensava. Mas a partir dos cinco meses comecei a querer falar do parto, a querer entender melhor o que era um parto, como era o todo o processo físico envolvido, mas não havia tido essa “abertura” com o médico que fazia meu pré-natal. Sentia pelas conversas objetivas em nossas consultas que o parto era um assunto dele e não meu, que quem entendia do parto era ele e não eu. Parecia que eu não precisava saber de nada, dos detalhes, só estar preparada para fazer tudo que ele me orientasse, de preferência, passivamente, ou seja, era ele que decidiria como meu filho ia nascer.

Quando tentávamos falar sobre o tipo de parto que faríamos, ele dizia: “ Isso nós vamos ver lá na frente” . E isso começou a nos incomodar. Não dava para não falar de um momento do qual nos logo estaríamos vivenciando e que seria o momento mais importante das nossas vidas. Tentei insistir algumas vezes no assunto, mas ele logo dava o assunto por encerrado. E eu continuava com minhas dúvidas e ansiedade.

Comecei a sentir que esta falta de informação estava me incomodando demais e por isso comecei a buscar de informações “por fora”. Comecei a me cercar de informações através de livros, como o Parto Ativo (Janet Balaskas, editora GROUND). Nessa busca, apaixonei-me pelo parto humanizado pelas informações de ser o mais natural possível. Meu marido também foi a favor.

Comecei a ler e me informar sobre as intervenções médicas de protocolo para as gestantes e para os bebes e fiquei assustada. Não achava certo meu bebê ter um tratamento padrão no hospital sem as devidas necessidades para ele e achei melhor ficar no nosso ninho. Me sentia mais segura, mais natural, mais fêmea, mais dona de mim mesma na minha casa.

Continuei o pré-natal com o médico particular até o final da gravidez e a partir do sétimo mês fiz o pré-natal com uma parteira também. E no oitavo e no sétimo mês acrescentei o pré-natal feito no posto de saúde. Sentia necessidade de me cercar de todos os profissionais e especialistas possíveis.

Por que todos estes cuidados? Porque demorei em conseguir formar minha equipe humanizada e não podia largar o meu médico e seu procedimento “tradicional” de uma hora para outra. Após formar minha equipe humanizada, ainda permaneci mais uns meses me consultando com o médico. Já o posto de saúde serviria para, se eu necessitasse de uma cesárea, eu iria para um hospital onde já havia pessoas da minha confiança dentro da maternidade e que me ajudariam no parto natural.

De uma coisa eu tinha certeza, não queria passar pelos efeitos colaterais de uma anestesia, pois já havia passado por isso quando tive que fazer uma curetagem do segundo aborto natural. O que vivi foi horrível e muito doloroso. Levantaram a minha cabeça logo após a cirurgia com a anestesia. Sofri dores horríveis de cabeça, tonturas, vômitos e fiquei hospitalizada durante uma semana. E por isso eu não queria passar novamente. Então quando decidi por obter mais informações sobre partos, foi com este princípio na cabeça: anestesia e intervenções não iam rolar.

Procurei pelos melhores profissionais no Brasil para me informar sobre o parto natural. Algo que não é fácil. Falei com as parteiras mais renomadas as quais me indicaram as de São Paulo. Falei com três parteiras, uma não podia fazer meu parto na data, a outra super bambambam trabalhava sozinha sem ajudante ela e os anjos dela, esta me simpatizei mas quando a questionei se acontecesse de alguma outra mulher entrar em trabalho de parto junto comigo qual seria o plano B dela. Ela se sentiu desconfortável com a minha pergunta e declinou de fazer meu parto.

Conheci as casas de parto de São Paulo, conheci a área de parto humanizado do Hospital São Luiz para ver se era em casa mesmo ou se seria ainda no hospital.

Estava gostando do que via, me sentindo segura também quanto ao respeito ao recém nascido, sem tantos procedimentos padronizados, o respeito e os cuidados de atenção com a parturiente, isso me emocionava. Estava ficando cada vez mais com o olhar aguçado sobre o parto humanizado. Cada vez mais investigando, procurando informações.

Não foi uma decisão só minha. Não foi uma decisão de uma hora para outra, esta opção foi tomando forma e tomando força dentro de nos dia a dia, informação após informação, conversa após conversa, relatos de pessoas após relatos rsrsrs. Foi uma decisão e um acordo entre marido e mulher, entre os pais de um novo ser. Sabíamos que uma decisão tão séria como aquela só se sustentaria até o final se estivéssemos muito unidos. Fomos questionados diversas vezes pela doula e pela parteira se era isso mesmo que queríamos, se os dois estavam confortáveis com a decisão.

Família

Quando relatamos para nossas famílias sobre o desejo de um parto natural domiciliar, claro que ninguém entendeu nada e eu nem esperava que fossem entender. Na minha família só houve cesarianas e vários abortos naturais. Eu era a louca!! Como alguém pode querer algo natural nos dias de hoje com a medicina tão avançada? Fomos desencorajados, claro, e fui obrigada a prometer que meu filho nasceria no hospital (claro que fiz figas escondida em baixo da mesa).   Apesar de tantas manifestações contrárias acredito que dizer a verdade sobre a nossa opção foi melhor. Nossas famílias nos questionaram, pressionaram e o meu marido ficou um pouco balançado e incomodado no início. Mas as dúvidas levantadas pelas nossas famílias foram sanadas antes do parto em nossas cabeças e estávamos unidos e de comum acordo.

Procura pela doula

Antes de engravidar eu não conhecia e nunca tinha ouvido falar de doula, mas depois de tanto me informar eu sabia que essa figura era essencial no parto que escolhi e ela poderia me ajudar bastante. A doula te da segurança, suporte emocional, tira dúvidas, enfim é uma amiga para assuntos ligados a esse parto.

Foi quando a Gisele e a Gleise vieram a minha casa. Foi a partir dessa etapa que me aprofundei de cabeça no assunto, todas as dúvidas que restavam foram esclarecidas com os livros que elas me indicaram para ler. O mais importante deles para mim foi Parto Ativo da Janet Balaskas onde tudo se esclareceu, se resolveu dentro de mim e que me ajudou muito a decidir definitivamente a ser dona de mim e ser a protagonista do meu parto.

Decidimos por fazer um parto natural domiciliar e descobrimos que é muito difícil conseguir este tipo de parto e exige bastante dedicação na busca das informações corretas e da equipe. Não imaginava isso achava que quando decidisse era so contratar as pessoas e pronto rsrsrss. Quase cheguei a desisitir por não conseguir montar uma equipe de profissionais.

Comecei a freqüentar as reuniões do MAPHS (Movimento de Apoio ao Parto Humanizado Sorocaba). E lá fui apresentada para a Giovana, pupila de uma das parteiras de São Paulo a qual me referi acima.

Com as duas doulas, e duas parteiras eu estava segura. Chegamos a conversar com o único pediatra humanizado de Sorocaba para saber qual a necessidade dele estar no parto afinal ele já tinha aceitado estar no parto. Só dependia de nos dois querermos ou não. E ele nos disse que precisaríamos de alguém com capacidade e experiência profissional para socorrer o bebe no caso de uma emergência e que segundo ele para isto estávamos muito bem amparados com as nossas parteiras, pois ela vinham de áreas de partos de risco e não somente de partos de sucesso pois ele também as conhecia.  E ele aguardava a nossa decisão para saber se estaria presente ou não. Isso foi na quinta feira dia 26/01. Neste dia eu estava completando 38 semanas de gestação. Hoje eu teria sim um pediatra humanizado junto na hora do parto.

Como minha cabeça estava preparada para parir até com 42 semanas não imaginei que pudesse acontecer antes. Foi uma maneira que achei de controlar a minha ansiedade foi acreditar que ele não nasceria antes disso. Também preparei a minha família para a data de 42 semanas. Eles não sabiam que poderia nascer antes.

Lá atrás, nas primeiras leituras e no primeiro livro Parto com amor (Luciana Benatti e Marcelo Min, editora PANDA BOOKS), eu imaginava a cena de que no dia do parto a casa estaria preparada para este evento. Queria tudo feito com antecedência. Mas no decorrer do dia a dia isso tinha perdido a importância. Então fui relaxando e providenciando apenas o necessário como o plano de parto no qual eu dizia o que eu gostaria que acontecesse comigo e com o bebê no dia do parto.

Nós tínhamos o plano A que era tudo correndo perfeitamente com o bebê nascendo em casa. Tínhamos também o plano B se eu precisasse de um hospital para cesárea iria para o Santa Lucinda e tínhamos ainda o plano C, se o bebê precisasse de hospital, ele iria para o Modelo que é na esquina da minha casa. Já tinha os panos de chão que eram muitos, o plástico para forrar a cama e o restante como lençóis descartáveis, fraldas de tecido e aquecedor que eu providenciaria na segunda feira, dia 30. Não deu tempo! No domingo, dia 29, resolvi arrumar a casa com o Alê, meu marido e também fazer um delicioso brownie de chocolate com sorvete. E eu falava assim: vou fazer um, pois quem sabe o Gabriel resolve nascer hoje. Chamamos três amigos em casa, minhas duas irmãs mais novas e comecei a cozinhar.

As 17h00min saiu um pouco de líquido e molhou toda a minha calcinha, resolvi ligar para a Giovana. E ela pediu para eu investigar o cheiro e a cor. Estava tudo normal, não parecia líquido da bolsa, mas ainda falando com ela isso aconteceu de novo. A parteira já tinha trazido sua mala com os pertences uma semana antes para deixar em casa, faltavam apenas algumas coisas dos primeiros socorros para o bebê. A Gi ficou receosa e resolveu vir até minha casa para trazer as coisas que faltavam e para me examinar.

Um pouco antes de ela chegar comecei a sentir cólicas, que eram as contrações. Fiquei feliz e ansiosa ao mesmo tempo.  Quando ela chegou as 22h00min já ficou me acompanhando e as contrações começaram a ser de 5 em cinco minutos. Meu Deus! O bebê ia nascer! Foi um misto de emoções indescritíveis.

O parto

O trabalho de parto tinha começado, Gabriel queria nascer.

Nossos amigos em casa, o Alê relaxado e… de repente tudo mudou. Eles foram embora, minhas irmãs também. Combinamos que avisaríamos todos da família logo assim que o Gabriel tivesse nascido. Não avisei que estava em trabalho de parto porque não cabia essa situação. O parto era nosso e não queria as ligações em casa a todo instante, as pessoas vindo em casa, nervosos e preocupados, não queria que meu trabalho de parto fosse atrapalhado e que não acontessece da maneira que nos tínhamos sonhado. A minha cabeça tinha que estar muito boa e a energia positiva era tudo naquele momento.

Neste momento ficamos Deus, eu o Alê e a nossa parteira. Minha cabeça estava funcionando, mulher ocitocina eu me imaginava. Meu corpo tinha que ser ocitocina pura para ele nascer. Começou o corre-corre. Parecia que estávamos fazendo um evento ao qual estávamos acostumados. Porém desta vez nosso check list e todas as exigências não foram cumpridas a risca como costumamos fazer. E riamos disso o tempo todo. Faltava fralda, faltava lençol descartável…

A parteira ligou para a doula, até isso foi invertido e as 24h00min nossa equipe estava presente. A Giovana imediatamente começou a montar seu campo de trabalho onde havíamos decidido com antecedência. Usaríamos a minha suíte. Senti-me tão cuidada por elas, o tempo todo. Senti-me tão segura e poderosa. O cuidado o carinho e a liberdade que me davam fazia com que eu fosse me transformando em parideira a cada instante. Fiz tudo o que eu sentia necessidade de fazer, fizemos massagem, tiramos fotos, muitas duchas de chuveiro bem forte. Eu parecia uma leoa.

As contrações aumentavam e as minhas necessidades também. Não parei um segundo sequer, não deitei em momento algum, para elas me examinarem nas últimas vezes quase que não deixei, pois tinha que deitar e a posição deitada é INSUPORTÁVEL é indescrítivel. Não deitei um minuto sequer.

Eu estava muito a vontade, meu marido parecia um the flash. Ele não parava. Ele colocou nossa trilha sonora feita especialmente para este dia. Colocou vários refletores com cor âmbar pela casa, trouxe o tapete branco para forrar o quarto, os baldes, e mais mil coisas que foram necessárias. Antes de isso tudo acontecer o que tínhamos decidido era que ele ficaria na cozinha durante o “trabalho” e não participaria ativamente do parto. Mas nada disso aconteceu.

Meu marido foi espetacular. Nunca o tinha enxergado desta maneira. Ele pariu junto comigo. Ele não me deixou em momento algum. Apenas deu uma pequena cochilada na sala. Ele foi o doulo mais lindo do mundo!

Eu tomava muita água, comia twix, tomava água de coco, e elas queriam que eu comesse mais, pois precisava de energia.  Não senti dor durante o processo, quando as contrações vinham eu acocorava e elas passavam. Às vezes, quando elas vinham me ver, eu andava levantando as pernas quase até os ombros. Sentia um calor forte. Um calor estarrecedor.  Às vezes queria música alta, às vezes queria silêncio profundo. Às vezes pedia para tirarem a música pelo amor de Deus. Fomos assim até as 04h00min da manhã.

Quando a dilatação chegou a nove era umas 07h00min da manhã, até aí lembro bem das coisas e daí em diante não havia mais intervalo entre as contrações e a dor era ininterrupta, minha bacia parecia que estava rachando, parecia que eu ia partir no meio. Lembro-me de ter perguntado se podia falar palavrão e comecei a falar vários e aí o cansaço começou a bater.

Fiquei muito na posição de gatinho da ioga, usei muito a bola. Sentava muito no banquinho e me dependurava na rede. Essa liberdade permitia que eu escolhesse as melhores posições, o meu instinto que mandava. Nunca me senti tão perto de Deus como nesta experiência. Tudo estava acontecendo da maneira mais natural possível.

O tempo todo escutávamos o coração do bebê. Víamos os seus batimentos e que tudo estava correndo muito bem. Meu marido achava que eu estava sofrendo, mas eu não estava, eu não conseguia pensar nele naquele momento era só eu e o bebê. Ele estava tenso, não queria me ver passando dor. Conversamos diversas vezes para saber se aquele rock n´roll era assim mesmo, embora nos vídeos de parto, tudo fosse muito romântico, tudo perfeito, ao vivo estava pauleira. Rock pesado. Sangrei pouco, mas o pouco para o Alê era muito. Tive vontade de fazer cocô e fiz. O cheiro forte de tudo era muito intenso.

Naquele momento percebi que a cabeça é TUDO. Eu sabia que ia parir eu queria parir. Mas de repente o trabalho deu uma empacada e elas sacaram que algo estava acontecendo na minha cabeça. Elas pediram que eu e meu marido ficássemos sozinhos por quanto tempo quiséssemos no nosso quarto, que beijássemos bastante na boca de língua (e assim obedecemos). Tudo tecnicamente. Pus as minhocas para fora, o Alê ficou puto com as minhocas e ai nasceu um novo homem. Um homem poderoso, um pai emponderado, um pai maravilhoso.

O Ale começou a mandar em mim como nunca tinha feito na vida. Começou a comandar o parto. Ele dizia: Agora essa criança vai nascer, vem Gabriel vamos nascer. Vai Carina. Faz isso , faz aquilo e foi maravilhoso. Resolvi acatar as suas ordens.

Com o trabalho em andamento e tudo perfeito, o Alê trocou a cor das luzes dos refletores da casa e tudo ficou azul. Eu já estava na partolândia, eu delirava, achava que estava no céu. E o céu realmente era ali na minha suíte. Estava tudo lindo, o Gabriel estava para nascer. A presença de Deus era muito forte. Eu sabia que poderia haver um determinado momento em que poderia pedir para sair daquela situação. Não pedi, mas quis saber se fôssemos ao hospital iria rolar uma anestesia.

Meu sacro estava estourando, estava rachando. O Alê me juntava e me amassava literalmente na região da bacia e isso me aliviava. Daí para frente foi difícil, as dores foram intensas, foi punk, foi rock´n roll.

Eu so conseguia ficar aliviada na ducha. Uma coisa que eu não sabia era que depois dos nove de dilatação não existe mais espaço entre uma contração e outra é só contração em cima de contração. Ainda bem que eu não sabia disso. Aí sim o bicho pegou. Dos 9 até os 10 foram umas 3 horas de TP. Três horas de contrações ininteruptas. Não tinha mais noção da hora. Só a Giovana parteira sabia das horas, ela prenchia de cinco em cinco minutos um prontuário de parto com todos os registros de batimentos e coisas do parto.

Umas 11 horas fui para a ducha, fiquei sentada no banquinho e a cabecinha dele coroou. Eu não queria sair do chuveiro, mas a Gi não me deixou ficar porque sabia que estava para nascer e o box era pequeno.

Elas queriam que eu colocasse a mão na cabeça dele. Mas não tinha coragem, quando me trouxeram um espelho e eu pude ver a cabeça dele foi inexplicável o que senti, não sei o que foi aquilo, um misto de emoções, de vida, de sentimentos. O Alê falou: Caralho, tá nascendo! Eu pensei: meu Deus, obrigada por estar aqui!

Colocar a mão no bebê me deu forças, me deu mais coragem, mas foi SURREAL.

Criei coragem e o Ale também e colocamos a mão no cocoruto do pequeno. Quando senti ele pela primeira vez pensei: “Não agüento mais, agora esse menino vai nascer nem que eu me arrebente”.

E assim foi, continuei seguindo as ordens do Alê. Lembro-me apenas de umas das últimas cenas da Gi mostrando o batimento dele, 132 já com metade da cabeça para fora. Meu períneo pegava fogo, meu sacro estava partindo. O expulsivo foi rápido ele saiu de dentro de mim em dez minutos. Depois que passou a cabeça o corpo sai que nem uma lesma escorregadia, é maravilhoso! Minha cabeça funcionou pela do meu marido. Estávamos ali: marido e mulher na experiência mais intensa e de risco das nossas vidas, mas estávamos juntos como tudo em que fazemos na vida, num só coração.

Gabriel nasceu

Quando Gabriel pulou para fora com aquele cordão azul lilás bem grosso, ele veio direto para o meu peito chorou pouco e parou de respirar. Nosso mundo parou. Aquele bebê forte que esperávamos não estava tão forte assim. Ele amoleceu no meu peito e ela tirou imediatamente ele de mim e começou os procedimentos de reanimação.  Eu e o Alê ali olhando aquela cena surreal e pensava, meu Deus meu filho esta morrendo, é isso?! O que é isso? Por que isso esta acontecendo? Foram 5 minutos que pareceram uma eternidade. As parteiras fizeram todos os procedimentos de oxigênio, aspiração, massagem cardíaca e o Alê falou: gente não vou interferir porque vocês são as profissionais, mas assim que falarem vamos para o hospital iremos! Nesse momento a doula já estava ao telefone com o pediatra.

Moramos a 15 segundos do hospital Modelo (nosso plano C), nosso carro já estava “embicado” para a saída na garagem em caso de emergência a qual não imaginávamos que fosse acontecer, mas aconteceu. Tivemos que recorrer ao plano C. O Gabriel não voltava, nosso mundo estava ruindo, nosso sonho estava sendo um pesadelo naquele instante. A Giovana e a Carol mantiveram a calma e a concentração a todo instante e concentraram-se no bebê. Meu marido,  a doula Gisele a parteira Giovana e o bebê foram para o hospital. Eu fiquei com a outra parteira terminando o parto.

Espera angustiante

Estávamos vivendo um pesadelo, meu filho foi tirado de mim, meu marido também, fiquei com a outra parteira terminando os procedimentos em mim. Só rezávamos, só rezávamos, só rezávamos. Algo inexplicável aconteceu.

Porque meu Deus isso estava acontecendo?! Quando o Alê saiu como um louco dirigindo, ainda ouvi uma freiada na esquina. Um carro quase bateu no nosso. Este risco não tinha sido avaliado: o de um acidente de percurso. Nem o plano C nós imaginamos que seria colocado em prática.

Não tinha circular de cordão, o cordão não saiu junto com o bebê, não tive problemas no pré-parto. Não tivemos problemas no trabalho de parto. Não tivemos demora no expulsivo. Não houve descolamento da placenta.

Porque meu Deus isso estava acontecendo?! Sabíamos que existia 1% de chance disso acontecer como qualquer nascimento, afinal nascer é um risco, seja em casa ou no hospital. Mas não acreditava que eu estava sendo esse 1%. No livro da Janet Balaskas tem um capítulo que fala sobre morte neonatal, quase pulei o capítulo, pois achava tétrico ler isso com um bebê tão amado na barriga.  Mas não pulei e li. E naquele instante eu estava vivendo aquele capítulo do livro. Não podia ser verdade, tudo estava acontecendo com a gente.

O Ale ficou com o pior da nossa dor…  o socorro do próprio filho. Quando chegaram ao hospital o próximo baque foi o preconceito. COMO ESTA CRIANÇA NASCEU EM CASA? Gritou o médico. O Alexandre sentiu como se tivesse feito algo muito errado. E lá meu filho foi tratado como “o bebê que nasceu em casa”.

Gabriel foi para o Pronto Socorro e lá começou a chorar novamente. Tomou drogas e subiu a rampa para UTI aos prantos e aos berros. Não foi entubado, pois estava respirando. Amedrontaram-nos dizendo que ele teve convulsão, mas depois fiquei sabendo por uma fonte segura de dentro do hospital que ele não teve nenhuma convulsão.

Fizeram um ultrasson do crânio nele e disseram que havia uma mancha no lado direito do cérebro e que poderia ter sequelas no nosso bebê. Meu Deus como isso foi aterrorizante!

O Apgar do Gabriel foi 2 e 3. Odiava estes números e hoje sei que eles não servem para nada na vida do ser humano.

,

Mas meu coração de mãe não sabia e não via nada disso, eu estava em casa.

O Ale sabia e acompanhava tudo que estava acontecendo nossa família e a parteira estavam lá acompanhando também. O comunicado da equipe médica foi o pior possível, mas não culpo nenhum deles pelo exagero que houve para passarem o laudo médico. Afinal eles são seres humanos e veem de perto tantas fatalidades que acabam se tornando duros demais.

Quando o Alê, a parteira e a doula chegaram ao hospital e foram questionados como uma criança nasce em casa, a Giovana respondeu: a mãe que decidiu. A Organização Mundial de Saúde apóia a decisão de mães que decidem fazer o seu parto onde ela se sinta mais segura. E a minha casa é meu porto seguro.

Enquanto isso eu estava em casa rezando, rezando e rezando com a parteira.

Como o Gabriel tinha nascido ligamos para avisar nossas famílias para participar o que estava acontecendo. E todos se mobilizaram em orações e vieram para nossa casa.  A família chegou, uns revoltados outros chocados, mas todos muito tristes e abalados. Eu estava com todos aqueles hormônios em ebulição no meu corpo, ainda estava com a cabeça na partolândia, afinal o Gabriel tinha saído de mim há apenas 40 minutos.

Tudo ficou muito confuso neste dia 29 de janeiro porque todos achavam que o que tinha acontecido com o Gabriel tinha acontecido por ele ter nascido em casa, com parteiras. E isso não era verdade. Fomos julgados, apontados por muitos. Minha fé em Deus foi posta a prova.

Toda a fé e o positivismo que já existia dentro de mim se quadriplicou, quintuplicou… Minhas forças se multiplicaram, toda a garra e coragem que tive para ele nascer permaneceram em meu corpo e na minha alma para enfrentar o que estávamos vivendo.

O Alexandre se revoltou perdeu o chão, mas não perdeu a cabeça. EU ESTAVA FIRME AO LADO DELE PARA PODER CONDUZÍ-LO DESTA VEZ. Relembramos nosso acordo, nossos conceitos, nosso foco. Tínhamos uma razão para esta opção de parto que era mais forte que tudo. SÓ QUERÍAMOS O MELHOR PARA O NOSSO BEBÊ E ISSO NÃO PODIA SER ESQUECIDO NUNCA. Fizemos o melhor por ele, oferecemos o lugar mais seguro para ele: a nossa casa. Um ambiente livre de contaminações e de infecções. Cheio de cuidados e de liberdade.

Neste momento de sofrimento e dor que eu e meu marido vivemos com o nosso bebê no hospital foi como se tivessem arrancado nossos corações. Eu queria ir para o hospital, mas só consegui ir  à noite. Quando cheguei ao hospital meu sonho se desfez, tudo o que construímos em pensamento estava sendo descontruído. Não pude amamentá-lo, não pude ficar com ele nos braços, não pude ficar ao lado dele. Meu filho ficou na UTI por 4 dias, eu o visitava a cada 4 horas. Eu queria invadir aquela UTI. Quando eu chegava ao hospital e ouvia as enfermeiras dizerem para os pais: Aguardem um pouco porque houve uma intercorrência, meu coração quase parava de pânico pensando que podia ter sido com ele. Quando eu entrava na UTI sempre me imaginava saindo com ele nos meus braços.

Tinha dois horários de visita na UTI e isso era doído demais, não poder estar lá em tempo integral. Desde a primeira vez que entrei naquele hospital parecia que eu era um ET, os funcionários me olhavam e me perguntavam: você é a mãe do bebê que nasceu em casa? As pessoas cochichavam nos corredores. Não liguei, pois meu foco era a recuperação do nosso filho. Diariamente a caminho da UTI, enquanto caminhava, eu fazia mentalmente o caminho inverso da UTI para casa com o meu filho nos braços. Chegava até a me ver passando por mim mesma e eu mesma me comprimentava e seguia o caminho de casa com ele nos braços. Não deixei de imaginar esta cena em nenhum momento em nenhuma visita. E pedi que o Alê fizesse também. Saíamos da UTI com os braços como se estivéssemos embalando nosso bebê e descíamos a rampa até o nosso carro mentalmente com o Gabriel nos nossos braços.

Conhecia uma anjinha que trabalha no Modelo responsável pela amamentação exemplar deste hospital, a fonoaudióloga Claudia Gondim. Esta querida me auxiliou com todo o seu amor e dedicação para que eu pudesse tirar meu filho mais rapidamente de lá. Ensinou-me a tirar com uma minúscula seringa o colostro do meu peito para poder passar na bochechinha do nosso bebê, isso se chama colostro terapia. Cada gota que eu tirava, eu rezava pedindo a Deus que aquele colostro se transformasse em remédio e que lavasse o cérebro do nosso bebê para que nada ele tivesse. E isso era no que eu acreditava.

Eu ia com a minha minúscula seringa choramingar na porta da UTI para que eles deixassem eu mesma passar o colostro na bochechinha dele. E com muito carinho, às vezes, eu conseguia entrar, mas muitas vezes saí de lá chorando, pois não permitiam que eu mesma fizesse isso fora do horário da visita.

Foram quatro dias de UTI. No quarto nosso bebê já estava sem tubo algum, sem PIC, sem oxigênio e neste dia a Claudia me fez uma surpresa. Preparou-me e tirou o Gabriel da incubadora e trouxe-o para mamar no meu peito. Foi delirante, foi mágico, foi emocionante. Este foi o dia mais feliz da minha vida. O meu sonho era que ele eu pudesse alimentá-lo. E este dia finalmente tinha chegado. Ele sugou meu peito e quando senti o poder da pegada da boquinha dele, eu soube que meu bebê não tinha problema algum. Chorei com meu filho no peito, agradeci pela benção alcançada. Senti-me mãe de verdade, plena e realizada. Paridoura daquela cria.

Dias depois cheguei lá e ele estava fazendo foto porque estava com um pouco de equitiricia, eu quase morri de desespero quando o vi com aquela venda nos olhos.  E o meu leite? Como ele iria tomar meu leite? Como ele nasceu em casa, fizeram tudo e mais um pouco com o meu filho como precaução. Não tenho raiva de ninguém por isto. Meu coração está em paz quanto a isso. Passou. E assim foi. Não existe mancha nenhuma mais na cabeça do Gabriel. O cérebro dele está perfeito e limpo.

Alguns amigos diziam: Carina, todas as crianças que nascem de parto normal devem ter uma manchinha no cérebro porque a criança bate a cabeça ao nascer. Graças à Deus meu parto não teve intervenções de drogas sedativas nenhuma no meu corpo nem no corpo do Gabriel, nem cortes. O Gabriel chegou limpo no hospital, chegou pronto para receber o auxilio médico e responder imediatamente aos procedimentos, pois não havia sinais de sedação no seu corpo.

Acredito que isto contribuiu para a sua recuperação tão rápida e imediata. O que me faz acreditar nisso são os fatos. Na UTI Neonatal tinham mais quatro recém-nascidos que nasceram dentro do hospital e tiveram o mesmo quadro clínico do meu bebê: pararam de respirar. E estes, infelizmente, ficaram na UTI quando nós saímos. A resposta clínica do nosso bebê foi fantástica e muito rápida. Quase que sem explicação para os médicos e para todos. Todo o estardalhaço que foi feito em cima do parto residencial estava se mostrando desnecessário aos meus olhos. Mas somente o tempo iria dizer a verdade.

Como entender

A parteira vinha me examinar dia sim, dia não. Elas quase piraram também. Foi uma historia que todos nos passamos de difícil entendimento. Minha doula chegou a tirar o seu blog do ar, minha parteira só queria achar explicação para o que tinha ocorrido e só chorava também. Demoramos uns dois dias para entender que ela a parteira Giovanna estava ali para salvar o Gabriel e assim ela o fez. E assim foi. Não existe mancha nenhuma mais na cabeça do Gabriel. O cérebro dele está perfeito e limpo.

Os médicos se baseavam no resultado de um exame o ultrassom no qual tinha aparecido uma manchinha branca pequena no lado parietal direito do crânio. E diziam que não poderiam dizer nada quanto às sequelas, se existiriam ou não. Essa avaliação fez com que pirássemos. O médico chefe da UTI Neonatal nos dizia que já tinha visto várias vezes este quadro se reverter. E que era para termos calma e aguardar. A minha família e o Alê queriam revirar o Gabriel do avesso para saber resultados imediatos. Entramos em crise e discordância.

Saímos da UTI e fomos para o Canguru que é uma ala semi-intensiva. O Gabriel estava sem nenhuma intervenção, estava apenas com dois medicamentos. Nesse momento eu tive a plena certeza que meu filho era saudável. Ficamos juntos dois dias, eu e ele. O Alê vinha nos visitar. Pude ser mãe, dava banho, trocava, amamentava. Pedi para o médico me deixar dormir por lá e assim consegui.

Pra ajudar tive uma hemorróida e uma incontinência urinaria que quase me matou nestes dias. Não pude fazer repouso pos parto porque tive que virar uma leoa e cuidar da minha família. E passei os dois dias no Canguru quase que em pé. Na segunda-feira seguinte eu já aguardava nossa alta. E as palavras mais lindas que ouvi foram do Dr. Antonio João Neto, chefe do Canguru: Mãe, seu filho não vai ter nada, fique tranqüila, ele esta ótimo, nunca vai ter uma convulsão. Fique em paz. Isso fechou para mim a certeza que já existia no meu coração.

Mãe, finalmente

Mas o Alê não escutou estas palavras do médico e não conseguiu ficar em paz. Ele ficou muito abaladao e traumatizado no primeiro mês.  Nossas famílias nos deixaram respirar para tocarmos nossas vidas.

Ficamos em paz com o Gabriel após uns dois meses do seu nascimento. Com dois meses realmente comecei a maternar e o Alê a paternar. Estávamos seguros, confiantes e felizes. Hoje o Gabriel esta com onze meses, lindo saudável, cheio de energia e alegria, já andando, falando e aprontando. Não me arrependo de ter feito o parto em casa. Arrependo-me de não ter dito com todas as letras e para todos que meu parto seria em casa. Aprendi que ser exceção da exceção é polêmico demais. Que parto natural é um assunto muito polêmico ainda.

Não me arrependo de ter tido meu filho em casa, mas (se pudesse prever pelo que passaríamos) teria hoje o cuidado de ter uma ambulância na porta de casa e continuaria morando no mesmo quarteirão do hospital onde moramos hoje.

Carina Dias Chaves
Mãe do Gabriel
Leia aqui também:
Relato de parto domiciliar após duas cesáreas em Campinas
Relato de parto  domiciliar em Sorocaba


Sobre Gisele Leal

- Acompanhamento da Gestação - Preparação para o parto (individualmente ou em grupos) - Consultoria para a escolha de profissionais e locais de parto - Elaboração do Plano de Parto - Dia da Despedida da barriga, barriga de gesso - Acompanhamento do Trabalho de Parto, Parto e Pós-parto imediato - Assistência ao Parto e puerpério - Consultoria em Aleitamento Materno - Fotos do parto, da família e da gestante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 pensamentos em “Relato de Parto Domiciliar – Carina e Gabriel

    • Carina

      Olá Adele, esté é a nossa história. Hoje posso dizer com um final muuuuito feliz. Espero que possa ajudar outras futuras mamães. Um beijo, Carina

  • ellen

    Que historia linda!! Da mesma forma sinto preconceito quando digo q fiz uma cesaria…no meu caso eu nao tive escolha, ja havia feito uma miomectomia..entao era muito arriscado fazer PN…acho que devemos reapeitar qlqr escolha q for feita pela mae..desde q seja o melhor pra ela e pro seu filho! Só nao acho bacana escolher metodos por motivos futeis!! Parabens pela sua coragem mamae leoa!

    • Admin

      Ellen, realmente a Carina foi (e é) uma mãe leoa!
      obrigada por seu comentário.
      Gostaria apenas de fazer uma observação, para que outras pessoas que leiam esse post e esse comentário não fiquem com dúvidas, não me leve a mal. Miomectomia por si só, não é indicação de nova cesárea, assim como uma cesárea ou duas por si só, tb não são indicação de novas cesáreas. Existem estudos que comprovam que é mais seguro e preferível um parto normal à uma cesárea mesmo quando o útero já passou por uma cirurgia anterior (seja uma miomectomia ou uma cesárea, ou qualquer outra cirurgia).
      Beijos
      Gisele

  • Carina

    Oi Gi querida, obrigada por compartilhar com as futuras mamães a nossa história que graças a Deus teve um final muuuito feliz. Informação nunca é demais. Um beijo grande, Carina.

  • Rafaela

    Em primeiro lugar, quero parabenizar a mamãe pela força e coragem. Estou para completar 37 semanas da minha segunda filha, sendo que tenho um menino de 6 anos que nasceu de cesárea, e optei pelo parto natural domiciliar exatamente por não querer as intervenções hospitalares no parto normal. Estou sendo assistida por uma doula desde as 14 semanas, quando comecei a fazer ioga, e há 4 semanas estou em contato com a equipe de obstetrizes que acompanhará o meu parto. Até o momento, não tinha pensado na necessidade de um pediatra no momento do parto. Ainda não sei se quero. Mas confesso que depois de ler o seu relato, fiquei um tanto preocupada, especialmente porque moro longe do hospital que atende o meu convênio…
    Mas agradeço pelo relato, pois estarmos informadas é o melhor que temos a fazer. Sempre. Sabendo da possibilidade de correr tudo bem no parto e mesmo assim ter um final inesperado nos deixa mais conscientes das nossas escolhas.
    Um grande abraço a vocês!