Mecônio! E agora? O bebê pode nascer de parto normal?


Uma das dúvidas que mais chega até mim pelo blog, redes sociais e rodas que conduzo é:  “e se o bebê fizer cocô na barriga?”.

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Então eu procurei a foto do nascimento da Manu, filha da minha amiga @annepires para mostrar pra vcs que bebês podem nascer com mecônio de parto normal.

Mas além disso, quero falar um pouco sobre mecônio com vocês, pra desmitificar esse assunto. Primeiro de tudo, é importante entender o que é o mecônio.

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Assim que a função de deglutição do feto iniciar, ele vai engolir o líquido amniótico para que o tubo que liga a boca ao ânus permaneça aberto e para que todo sistema urinário e digestivo seja testado. O líquido amniótico, é em sua maioria formado pelo xixi do bebê, célular mortas, lanugo (o pelinho que recobre o corpo do bebê), vernix, unhas, etc). Todo esse conteúdo vai formar o mecônio no intestino do bebê (o primeiro cocô que tem uma cor escura e é bastante pegajoso).
Esse mecônio, assim como tudo que está dentro da bolsa de águas, é estéril. Não é um cocô “contaminado”.

A maioria dos bebês maduros irão, em algum momento, eliminar eventualmente mecônio no líquido amniótico. E isso é apenas um marcador de maturidade do bebê. É algo fisiológico e esperado. 

Portanto não há nenhuma indicação de abreviar o nascimento de bebês saudáveis, apenas porque liberaram mecônio no líquido amniótico. Muito menos por cesárea.

Em gestações de alto risco, ou em gestações que não tem um bom acompanhamento de pré-natal ou parturientes que são submetidas à má assistência durante o parto (muitas intervenções e pouco ou nenhum monitoramento do bebê), pode levar o bebê a eliminar mecônio porque está sendo mal oxigenado pela placenta. 

“Conheço um caso de um bebê que foi pra UTI após “engolir” mecônio”.

Nenhum bebê vai pra UTI por engolir mecônio. O máximo que vai acontecer é esse bebê vomitar esse mecônio após nascer. Bebês podem ir para UTI porque aspiraram o mecônio. Enquanto está dentro do útero, o bebê não respira pelas vias aéreas como nós,  pois está imerso em líquido. Ele recebe oxigênio pelo cordão umbilical através da placenta. E portanto não é normal nem esperado que um bebê saudável “aspire” o líquido amniótico (com ou sem mecônio). Isso, pode acontecer quando o nível de oxigênio que chega ao bebê está reduzido ou insuficiente. Sendo assim, o  foco da assistência deve ser em como está a oxigenação e a vitalidade desse bebê e não na presença de mecônio. 

Uma boa assistência ao pré-natal e durante o trabalho de parto e parto, com um monitoramento bem feito do bebê através da ausculta dos batimentos cardíacos fetais são fatores que podem garantir que o bebê está sendo bem oxigenado pela placenta e reduzir os riscos da aspiração do líquido amniótico, tenha ele mecônio ou não.

Então se o bebê está bem, não precisa fazer cesárea?

O mecônio isoladamente, não é indicação de cesárea, mas é um achado que deve ser considerado para analisar outras formas de avaliação da vitalidade fetal e pode, em determinadas circunstâncias, requerer abreviação do nascimento. Por isso é importante ter uma equipe que baseie sua assistência nas melhores evidências científicas.

Se durante o trabalho de parto, o mecônio é fluido, o bebê apresenta boa vitalidade, boa movimentação fetal, batimentos cardíacos tranquilizadores, a mãe tem liberdade de se movimentar e se posicionar de forma a contribuir com a oxigenação fetal, é possível que se continue (com monitoramento) com o trabalho de parto. É importante entender que, no parto normal, quando o bebê passa pelo canal de parto, recebe a pressão  positiva exercida sobre o tórax e isso ajuda, inclusive, a liberar algum resíduo de mecônio ou líquido amniótico que tenha sido aspirado. Porém caso algum dos fatores acima saia do esperado, a equipe poderá optar por antecipar o nascimento por via vaginal (com ajuda de fórceps de alívio ou vácuo extrator se o trabalho de parto estiver na fase do expulsivo) ou por cesárea, caso o trabalho de parto ainda esteja no início.

Eu já vi muitos bebês nascerem banhados em mecônio, assim como a Manu, filha da Anne que gentilmente cedeu essa foto para mostrar pra vocês que é possível ter um bebê saudável, de parto normal mesmo quando há mecônio. 

Quer conhecer um pouco mais do meu trabalho? Entre em contato. 

Trabalho com gestantes e assistência ao parto desde 2010 e a partir de 2020 atenderei exclusivamente como parteira/obstetriz, tanto partos hospitalares quanto domiciliares. Se você quer mais informações sobre como construir uma experiência positiva de parto, entre em contato. (19) 9-8102-0880

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