Maternidade ou Carreira? 5


Vivemos em uma época em que ser bem sucedida profissionalmente tornou-se prioritário a ser mãe, ou pelo menos, para um grande grupo. Basta olhar com cuidado as taxas de fecundidade. Nos anos 60 a média era de 6 filhos por mulher, hoje a média é de 1,9.
Trabalhar fora, e ainda ser bem sucedida é uma conquista recente. Ganhar seu próprio dinheiro, ser independente, ter sua competência reconhecida, é motivo de orgulho para quem opta por construir uma carreira de sucesso. Entretanto, optar por ser mãe e construir uma carreira significa saber coordenar todos os papéis que a mulher moderna tem em suas mãos. E para ser bem sucedida na maternidade e/ou na carreira, é preciso lidar com as culpas e os complexos que rondam a todas nós.
Nossa história começa com o homem no mercado de trabalho, quando apenas eles tinham plano de carreira, promoções, sucesso profissional e o dever de manter e sustentar a casa. O trabalho era apenas isso: manutenção da família, e era isso que nossas mães, avós e bisavós acreditavam. Não via-se o trabalho como fonte de prazer, de emancipação, de evolução, de cultura e de sociabilização.
Hoje temos muitas mulheres que conciliam trabalho e lar. Marido e chefe. Filhos e planilhas. Reuniões e festinhas infantis. Viagens de negócio e viagens em família. Apresentações para um cliente e apresentação dos filhos na escola. Pois digo:  é perfeitamente viável conciliar tudo de forma saudável e prazerosa.
É claro que não é fácil conciliar todos esses papéis, mas… para quem gosta de uma boa dose de desafio chega a ser estimulante. A palavra aqui é ORGANIZAÇÃO.
Para que essa situação seja prazerosa, é preciso se livrar das culpas ou das crenças estabelecidas em nossa sociedade atual.
“Se você trabalha fora, e coloca seu filho em uma creche ou o deixa com uma babá, você não é uma boa mãe”.
Isso é muito contraditório. Se você não trabalha fora, não se preocupa com o conforto do seu filho, com a possibilidade de oferecer melhores oportunidades para ele. Se você trabalha, não pode usufruir desse conforto com seu filho. Oras bolas. Citando extremos, conheço muitas mulheres que não trabalham fora e vivem estressadas com os filhos, gritam, batem, não tem um pingo de paciência, não fazem programas diferentes, deixam a criança trancada dentro de casa ou do condomínio o dia todo, comendo porcarias. Conheço muitas mulheres que trabalham fora e ficam pouco tempo com seus filhos, mas que nesse pouco tempo que tem com seus filhos, procuram fazer programas agradáveis, passeios, brincadeiras, comidinhas especiais. Sendo assim, não há uma regra. Cada mãe é uma, e a questão de trabalhar fora não atrapalha a relação que teria com seu filho se ela não trabalhasse e vice-versa.
Ou: “Se você tem filhos, não poderá se dedicar ao seu trabalho, à sua carreira, porque inevitavelmente terá que se dedicar aos filhos, o que certamente são sua prioridade”.
Oras… se você trabalha fora, tem que ter uma estrutura que te socorra nos momentos complicados. Sim! Eles existirão. Você terá uma reunião importante com um cliente ou fornecedor, em outro estado, bem no dia em que seu filho está com um febrão de 40 graus, e que passou a noite inteira em claro para cuidar do pequeno. Se não tem uma estrutura (leia-se marido com horários flexíveis, babá, mãe ou sogra disponível) fica dificil mesmo conciliar todos os seus afazeres. Mas isso não deixa de ser um exercício para o corporativismo. Uma profissional sabe delegar, e deve aplicar suas habilidades do mundo corporativo no lar também. Ser mãe e/ou esposa também é fazer gestão, assim como em uma empresa.
Em qualquer um dos casos, a palavra aqui é se empoderar. Livrar-se das opiniões alheias e construir aquilo que lhe dá prazer, lutar pelo melhor para você enquanto mãe e profissional. É atender aos gritos do seu coração, é fazer aquilo que te faz feliz. E não seguir regras ou ondas ditadas por uma corrente específica, mas fazer da melhor forma que você puder, aquilo que você julga ser melhor, dando o melhor de si para seus pequenos nos momentos que estiverem juntos.
Abraço,
Gisele


Sobre Gisele Leal

- Acompanhamento da Gestação - Preparação para o parto (individualmente ou em grupos) - Consultoria para a escolha de profissionais e locais de parto - Elaboração do Plano de Parto - Dia da Despedida da barriga, barriga de gesso - Acompanhamento do Trabalho de Parto, Parto e Pós-parto imediato - Assistência ao Parto e puerpério - Consultoria em Aleitamento Materno - Fotos do parto, da família e da gestante

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5 pensamentos em “Maternidade ou Carreira?

  • Luciane

    A introdução da mulher ao mercado de trabalho se deu durante a 2a. guerra pois precisava-se de mulheres para manter as indústrias funcionando. Foi a chance da mulher se emancipar! Ótimo, pois já era tarde, mas como a iniciativa privada não é boba, os salários ficaram bem abaixo dos salários masculinos (o que perdura até hoje). No final, o que aconteceu? Os salários masculinos também cairam, pois após a guerra houve excesso de mão de obra! Era tudo o que o capitalismo queria! Quem perdeu? A família! A mulher, que conseguiu a sua tão sonhada inserção no mercado de trabalho, mas sendo mal paga, ainda teve que acumular dupla jornada de trabalho. É lógico que ninguém é de ferro, e hoje em dia o que se vê são as famílias se alimentando muito mal, não se conhecendo, estresse total. Afinal, quem é que consegue cozinhar à noite após um dia cheio? Todo mundo chega cansado, mal pago, e se afunda na frente da TV ou afogam as mágoas se endividando ainda mais nos shoppings…
    Quem ganhou? O capitalismo, pois agora tem excesso de mão de obra, que pode ser manipulada via TV, revistas…
    O que seria bom pra todos? Homens e mulheres trabalharem menos para poderem ficar mais tempo com as suas crias! Melhores salários! Distribuição de renda!! Reforma agrária!! Enfim, do jeito que tá não é possível conciliar tudo, o buraco é mais embaixo…

  • CARTNEI LINN ZIMMERMANN

    Não trabalho fora para administrar a minha melhor empresa minha família que é claro patrocinada pelo meu maridão que é meu melhor amante, amigo, psicólogo e principalmente macho.

  • CARTNEI LINN ZIMMERMANN

    Creio que se eu trabalhasse fora não teria um filho maravilhoso. A mãe faz toda a diferença no desenvolvimento emocional do filho. Acredito que se muitas mulheres acompanhassem seus filhos ao menos em seus primeiros 10 anos de vida o mundo seria melhor, pois a mãe materializa e contribui para a formação do caráter do filho e também transmite a importância da clareza dos papéis, mãe e pai, o significado de cada um na família propicia filhos saudáveis e com idéias concretas do que irão realizar em sua vida futura. A mulher ganhou um espaço e robou o papel do homem, porque ela se tornou ambiciosa e obcessiva, não respeitando o espaço do outro, seja filho ou marido, ela está metida ou se metendo em decisões que muitas vezes é importante deixar que o outro tenha as respostas por si só seja com ganhos ou perdas. A mulher lutou por um espaço que ela mesma não está conseguindo sustentar, seja emocional, espiritual, financeiro e etc. Sou mãe de um menino de 14 anos e sou muito realizada com ele e meu marido. O homem é decisivo dentro de uma casa. Ter família significa divisão de tarefas assim como em uma industria cada um tem a sua função, mas lamentavelmente a modernidade distorceu esta idéia e as novas formas de família já não se configuram família, mas sim pessoas que dividem tarefas em baixo do mesmo teto. Um mundo cheio de direitos e nada de deveres e isso resulta em falta de respeito ao próximo. Eu sou muito mais feliz sendo administradora do lar, promotora do meu filho e sócia do meu marido do que trabalhando, porque a minha maior empresa é a minha família. Juntos decidimos o que iremos fazer no fim de semana, para onde iremos viajar nas férias da escola, o cardápio da semana e do final de semana e etc. Abraços