Esse louco desejo de ser mãe… de novo (parte 1) 5


Por Gisele Leal

Desde pequena eu sempre quis ter muitos filhos. Minha brincadeira preferida era brincar de boneca. Eu cuidava, ninava, colocava para dormir, contava história. E fazia isso com TODAS as bonecas antes de eu ir dormir. Se minha mãe estivesse viva, com certeza iria falar a respeito.
Quando saí de casa, aos 20 anos, fui morar sozinha, e logo um namorado muito entrão se instalou no meu apartamento. Próximo ao horário dele chegar, eu colocava uma almofada sob a roupa e fazia de conta que estava grávida (de muitos meses).  Ele entrava na brincadeira… Nessa época eu desenhava muito (sim, tenho um talento adormecido) e meus desenhos preferidos eram de grávidas nuas em uma praia deserta, grávidas dormindo, grávidas, grávidas e grávidas.
Obviamente eu estava dizendo ao universo que desejava ser mãe. Eu tomava anticoncepcional nesta época , mas nunca obedecia muito os horários… As vezes tomava pela manhã, as vezes à tarde, ou a noite.  Mas tomava.
Até que um belo dia de julho minha menstruação não veio. Fui à Maternidade de Campinas fazer um exame de sangue que deu positivo. Eu era aquele 1% que engravida tomando pílula. Minhas pernas tremeram, fiquei muito emocionada! E com medo! Estava no ultimo ano de faculdade, num relacionamento estável mas que claramente não tinha futuro e uma mãe e pai super tradicionais que iriam comer o meu fígado quando eu contasse. Com o nascimento da minha filha eu me tornei a menina-mulher de 21 anos mais feliz do mundo. E mais desesperada também.  Eu precisava provar para o mundo inteiro que eu era capaz de criar minha filha, mesmo aos 21 anos e sozinha. Sim, quando minha filha nasceu eu já não estava mais com o pai dela.
Foi uma gravidez muito, muito conturbada. Sangramento, inibidores, repouso, cerclagem,  repouso, uma cesárea não desejada que me deixou limitada para cuidar da minha pequena. Dificuldade com amamentação, um pediatra que receitou NAN já na maternidade. Mil e um palpites de família e parentes, claro que bem intencionados, mas que me colocavam no lugar de filha e não de mãe. Alergia alimentar até os 6  anos de idade, cirurgia para colocar dreno no ouvido de tantas otites, meningite por recaída de otite. Enfim, foram anos e anos de dedicação, e muita muita preocupação. Se eu não tinha certeza que minha filha iria nascer viva quando aos 5 meses entrei em trabalho de parto e fiquei uma semana no hospital a base inibidores que precederam uma cerclagem, depois que ela nasceu não tinha  a certeza que ela iria sobreviver, tamanhas foram as provações pelas quais passamos. Não foi fácil ser mãe (ou deveria dizer PÃE – mãe + pai) aos 20 anos. Hoje sei que muitas dessas “doenças” teriam sido evitadas se ela não tivesse sido apresentada ao leite artificial e à mamadeira já na maternidade.
Por outro lado, a Beatriz me completava. Não me via mãe de outras crianças. Apenas dela. Era um amor louco amor. Uma maternidade quase patológica de tanto que eu me doava, de tanto que eu amava, de tanto que só ela era importante para mim.
Fazíamos  praticamente tudo juntas. Se eu ia em algum barzinho com amigos ela ia comigo. Viajávamos, fazíamos trilha, mergulhávamos, acampávamos juntas. Era minha mini parceira. Ao mesmo tempo que era muito cansativo viajar com tralhas e mais tralhas (por causa da alergia alimentar dela), era muito, muito bom, muito prazeroso. Minhas amigas diziam que queriam ser uma mãe como eu, queriam ter uma filha como ela. E isso me deixava muito feliz.
Quando ela tinha 3 anos reencontrei um velho colega do movimento estudantil. Um moço tímido, que mal falava e por isso mesmo jamais havia chamado minha atenção. Estávamos os dois solteiros e carentes e  após várias investidas muito tímidas dele, começamos a namorar. Essa é uma outra longa história, então vou direto para a parte que é importante. Esse moço era filho único de mãe solteira e queria ter uma família grande. Queria ter muitos filhos. E aí eu me vi cara a cara com aquele meu desejo de infância de ser mãe de vários filhos….
(continua)


Sobre Gisele Leal

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