Benjamin, um bebê apressadinho :) 1


Conheci a Luciane e o Fábio no manifesto que o MAHPS promoveu em novembro no parque Campolim em Sorocaba coletando assinaturas para um abaixo-assinado pela Humanização da assistência ao recém-nascido.
Lu estava ainda 5 meses de gestação, já conhecia o Blog Mulheres Empoderadas e já tinha passado numa consulta com a Priscila Parteira.
Conversamos muito sobre as opções que temos na cidade de Sorocaba quanto a um parto humanizado. Luciane se mostrou uma mulher muito informada, e que já tinha em mente o que queria. Fábio ainda querendo entender porque a mulher queria esse tal parto humanizado.
No meio da semana Lu me mandou um email querendo agendar uma consulta. Marcamos para o sábado seguinte, e então convidei a Gleise para ir comigo.
Foi uma consulta muito bacana, conversamos muito sobre tipos de parto, local do parto, equipe, etc. Senti o Fábio muito mais tranquilo do que no dia no parque.
Nosso próximo encontro foi em Dezembro, já na primeira reunião de gestantes do MAHPS.
Lá estavam Lu e Fábio, atentos a tudo o que era dito no grupo.
E eles foram na primeira e em todas as reuniões do MAHPS que houveram. Sempre se informando, sempre construindo o tão sonhado parto natural.
No dia 16 de fevereiro, Lu me ligou dizendo que tinha perdido o tampão e que tinha tido uma ou duas contrações. Perguntei pra ela se haviam regularidade, pois ainda era cedo, ela estava com 34 semanas apenas. Ela disse que não. Priscila estava viajando de férias e naquela quinta-feira mesmo, haveria encontro de gestantes. Disse a ela que seria bom ela fazer repouso pois ainda era cedo para o Bejamin nascer e liguei para a Pri e para a Giovana. A Gio pediu para ela ir no hospital onde ela estaria de plantão naquela quinta-feira para examina-la e eu me ofereci para ir junto. Como era dia de encontro de gestantes do MAHPS, Lu decidiu que iria primeiro no encontro e depois iríamos juntas ao hospital onde Giovana estava de plantão.
Durante o encontro percebi a Luciane diferente. E ainda cheguei a perguntar duas vezes pra ela se estava tudo bem. Ela estava tendo contrações. Então fomos para o hospital para que a Giovana pudesse avaliar se essas contrações precisavam de atenção. A Gleise também foi.
Lu pediu que eu subisse com ela, Gleise ficou com o Fábio na recepção aguardando por notícias. Realmente aquelas contrações estavam fazendo o colo dilatar, e apesar da Lu não estar sentindo dor ela já estava com 3 para 4 cm de dilatação. Giovana pediu um exame de urina que acusou uma infecção do trato urinário (ITU) discreta, porém suficiente para desencadear um trabalho de parto prematuro.
Saiu do hospital medicada para tratamento da ITU e com recomendação de repouso absoluto.
Como o dia seguinte seria a sexta-feira de carnaval, Gleise foi ficar com ela, pois a recomendação era de repouso abosoluto e o Fabio tinha que trabalhar e eu tinha matrícula na USP e provavelmente perderia o dia todo. Mesmo assim, quando cheguei em Sorocaba fui até a casa da Lu e do Fábio, e lá nós 4 reunidos conversamos sobre várias possibilidades, e fizemos o plano de parto juntos, caso o Benjamim resolvesse nascer antes das 37 semanas (o plano inicial era um parto domiciliar que só poderia acontecer com no mínimo 37 semanas de gestação).
Fomos embora quase 19:00, e por volta de 23hs recebi a ligação do Fábio, dizendo que as contrações tinham voltado com bastante intensidade, ela já tinha ficado uma hora no chuveiro e as contrações não tinham passado. Então disse para eles me encontrarem no hospital pois como ela ainda estava com 34 semanas, e a infecção urinária ainda estava no comecinho do tratamento, seria prudente uma avaliação. Nem avisamos a Gleise, pois não sabíamos ainda se seria caso de internação ou não. Eu acreditava que eles usariam algum inibidor, mas não foi necessário segundo a avaliação da obstetra de plantão.
Fiquei com a Lu até umas 2 ou 3 da manhã, o cardiotoco apontou algumas contrações, mas a dilatação não havia evoluído. Que bom! Lu ficou no hospital para tomar um sorinho, assim ajudaria a limpar o trato urinário mais rapidamente. Lá pelas 6 da manhã, foi liberada.
Os dias passaram, o carnaval permitiu que Fábio ficasse o tempo todo com ela em casa, o antibiotico foi fazendo efeito, e as contrações mantinham-se porém em frequencia menor. Até que Prisicila voltou de viagem e eles passaram com ela em consulta de pré-natal. Lu já estava com quase 36 semanas. Durante a consulta, Priscila percebeu que as contrações estavam longas, e preferiu manter o repouso.
No sábado que antecedeu o nascimento do Bejamin, eu e Gleise tínhamos acompanhado o parto da Laura que nasceu na água. Eu havia postado uma foto do parto, e Fábio e Lu tinham visto pelo Facebook. Então no domingo, quando rompeu a bolsa da Lu logo pela manhã, eles preferiram não me acordar e ligaram para a Gleise, sem saber que ela também havia estado no parto no dia anterior hahahaha. Gleise me avisou, e em seguida liguei pra Priscila. Pronto. Ainda bem que tínhamos feito o plano B, pois Bejamin havia resolvido chegar antes de 37 semanas. Lu estava com 36 semanas e 4 dias. Mas com o histórico anterior de infecção e um exame de Strepto que não tinha ficado pronto ainda, o casal optou pelo plano B – um parto hospitalar em São Paulo, onde a entrada da Priscila seria tranquila com obstetra do convenio que a-d-o-r-a trabalhar com parteira.
A princípio a bolsa tinha rompido, mas não havia ainda contrações. Então liguei para eles para ver como estavam e expliquei que no hospital que o convenio deles cobria provavelmente não poderiam entrar duas doulas. Então eles teriam que optar por uma de nós duas. Essa é uma outra longa história, mas acabaram indo nós duas. Eu e Gleise.
Gleise foi doulando o Fábio, marido da Lu e eu fui com a Lu no banco de trás do carro da Pri. A cada contração, eu orientava a Lu a relaxar, respirar profundamente, lembrava a ela que era apenas uma onda que ia passar. E essas ondas vinham, uma após a outra, cada vez mais intensamente. E a cada onda, massagens na lombar e palavras de encorajamento.
Foram apenas 50 minutos de Sorocaba até o hospital em São Paulo. Era domingo, apesar de bastante movimentado, nenhum congestionamento sério. Mas para a Lu e para nós que estávamos ali com ela, pareceram horas até chegar no hospital.
Fui abrindo caminho com a Lu, antes que alguém quisesse que ela fizesse uma ficha para internação, a Pri logo nos alacançou. Entramos na sala de admissão, parecia que tinha caído um balão. Duas enfermeiras, a GO plantonista, a Priscila e eu com a Lu. A Priscila explicou que o GO dela já estava sabendo, e havia nos orientado a ir para o 8o andar (onde tem a suíte de parto). A GO plantonista repetia: “Querida eu tenho que te examinar, porque eu VOU TER que te ajudar se o seu médico não chegar. A Pri então explicou que ela era Enfermeira Obstetra, parteira, e que estava acompanhando a Lu, e que se não fosse a idade gestacional que seria um parto domiciliar. Que a Lu não queria episio, e bla, bla, bla. Mas ninguém ali parecia ouvir. A GO só repetia que ela tinha que ajudar o “nenem” a nascer. A Enfermeira do hospital dizia que estava ligando para o GO mas que só dava caixa postal. Resolvi eu mesma ligar. O celular tocou e ele atendeu. Ufa… que alivio. A Priscila então falou com ele, explicouo que estava acontecendo e passou o telefone pra plantonista. Depois disso fomos nos trocar e quando voltamos a Lu já estava na suíte de parto. Tudo muito rápido. MAs devido ela estar com bolsa rota e não ter o resultado do exame de strepto a plantonista colocou antibiótico intravenoso. Que durou  menos de 15 minutos, porque dali o obstetra chegou, e autorizou que ela fosse pra banheira! 🙂
O clima estava o pior possivel. Varias enfermeiras entravam e saíam, uma loucura. A Lu com dilatação total, e não conseguia relaxar. Até que todos saíram da sala e ficamos apenas nós: o casal e a equipe que eles haviam escolhido. Eu e Gleise fomos encher a banheira, um baile até acertar a temperatura da água. Finalmente ficou boa. Então abaixei a luz, coloquei uma musiquinha para ela ouvir, e finalmente Lu entrou na banheira. Incrível como derepente o clima mudou. Daquela adrenalina toda da estrada mais a admissão terrorista do hospital, derepente tudo ficou calmo. A Lu começou a sentir as contrações novamente. Lembro que quando ela já estava dentro da banheira, enquanto enchia, falei para ela me abraçar e soltar o corpo em mim. Então dançamos enquanto a água quente do chuveiro que tb estava enchendo a banheira caía sobre sua lombar. Fui novamente orientando-a a respirar profundamente, e a esquecer o mundo lá fora, pois já estava tudo bem. Gleise massageava sua lombar também. Priscila entrou no banheiro e conversou com a Lu. Disse a ela que estava tudo bem ,que ela podia deixar o Benjamin nascer. Que o pediatra já havia chegado, todos que ela queria estavam ali. Lu entrou na banheira,  e relaxou. E poucos minutos depois, começou a sentir os puxos, e dizia que queria empurrar, que queria fazer força…
Fábio se ajoelhou ao lado da banheira e encorajava a Lu! Foi um maridoulo perfeito! Encorajava, acarinhava, participava de tudo.
A equipe de enfermagem pediu que uma das duas doulas saísse. Gleise saiu, e deixou a máquina para que eu filmasse o nascimento do Benjamin.
E naquela pequena suíte de parto, onde só cabiam no banheiro além da Lu na banheira, Fábio e Pri ao lado, Benjamin começou a coroar.
O obstetra então pegou o kit de clampeamento e posicionou próximo à parteira e disse: Está aqui, caso precise. Na porta da suíte eu, o obstetra e o pediatra observando.
Priscila pediu o sonar e ascultou os batimentos do Benjamin. Fortes! Perfeitos!
E então ela sentiu o círculo de fogo. E ela mesma segurou seu períneo. E conforme Benjamin coroava ela abria os dedos junto com a distensão do períneo. Puro instinto. E sentiu então os cabelinhos do Benjamin em seus dedos. E chamou-o: “Vem meu filho!”. Fábio a beijou. E juntos ali,  as 14:45 do dia 04 de março de 2012, Benjamin mergulhou para vida fora do útero, e seus pais receberam seu pequeno guerreiro apressadinho 🙂
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Priscila o pegou e o entregou para Lu. E ele chorou forte, como um bravo guerreiro. E com ele trouxe uma surpresa! Um cordão curto com um  frouxo, mas verdadeiro nó de cordão! Um evento muito raro, que pode trazer complicações. Mas como disse Pri, a parteira, a natureza é sábia. E para Benjamin, que tinha um nó verdadeiro de cordão, o melhor foi nascer um pouco antes do tempo, para evitar que este nó ficasse mais apertado e impedisse o fluxo sanguíneo para ele. A Natureza foi tão sábia que o trabalho de parto durou apenas 6 horas desde que a bolsa rompeu. Muito, muito rápido.
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E Benjamin que resolveu chegar antes da hora, de prematuro pouco tinha. Pequeno sim, mas todo redondinho, ativo, forte.Que ao ser colocado no peito para mamar, pegou e não largou mais por mais de meia hora. E quando largou, dormiu. E o papai Fábio aproveitou para pegá-lo, e reconhece-lo, e sentir o cheirinho dele, e viu que o dedão do pé do Benjamin, era igual ao seu dedão do pé! E cada vez que olhava para o Benjamin chorava de emoção. O segurava com todo carinho do mundo. Coisa linda de ver!
Uma equipe muito sintonizada: Um casal informado, empoderado e decidido. Uma parteira que seguiu sua intuição levando esse casal para São Paulo, para que um bebê prematuro não nascesse em casa ou no carro com nó verdadeiro de cordão. Um obstetra que respeitou o desejo da mulher parir com a parteira e esteve ali presente caso precisassem dele. Um pediatra muito, muito respeitoso, que acolheu e respeitou o pequeno Benjamin e não o olhou como um bebê doente só porque era prematuro. E um bebê muito esperto, que soube a hora certa de deixar a barriga da mamãe 🙂
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Lu e Fábio, muito obrigada por me escolherem para acompanhar este momento tão especial, intenso e único na vida de vocês. Espero que vocês possam encorajar outros casais a se informarem e terem a oportunidade de vivenciar um nascimento tão respeitoso e lindo como foi o do Benjamin!
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Um beijo com carinho da sua Doula 🙂


Sobre Gisele Leal

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Um pensamento em “Benjamin, um bebê apressadinho :)